O REINO DE DEUS

Porquanto teu Reino é Reino Eterno, e o teu domínio
perdura de geração em geração.
Salmo 145.13

O reino dos homens é caracterizado por ser estabelecido pelo uso das forças das armas, econômicas ou políticas. A violência é usada constantemente para que uma aparente sensação de paz possa existir. Acordos e negociatas também são manobras comumente usadas. Valores honrosos e dignos são por muitas vezes deixados de lado e aquela frase que o fim justificam os meios é algo normal e encorajado a ser colocado em prática. É bom lembrar também que neste tipo de reino sempre teremos injustiças e a prevalência do interesse de um grupo de pessoas em detrimento de outros.

O reino de Deus é estabelecido pela força do amor, o entendimento de que este reino não é desse mundo nos dar uma cosmovisão da vida totalmente diferente, onde já não vivemos como se tivéssemos que aproveitar o máximo possível das ilusões do mundo, a nossa vida deixa de ser um fim em si mesma, e passamos a viver para a glória do Grande Rei que é o Senhor Jesus Cristo. Os valores desse reino são de misericórdia, compaixão e justiça sem vingança. Aqueles que fazem parte deste reino entendem que não devem buscar seus próprios interesses em detrimento do próximo, muito pelo contrário, os princípios desse reino ensinam que o próximo deve ser amado e considerado a imagem e semelhança de Deus.

Somente o Reino de Deus é capaz de dividir a história em “antes” e “depois”, pois a transformação que este Reino proporciona não é somente uma transformação social, que pode ser facilmente desfeita pelas crises constantes que esse mundo passa. A transformação principal que o Reino de Deus promove é a espiritual, o novo nascimento, fazendo com que o homem ganhe uma nova natureza, um novo coração e uma nova mente que é a mente de Cristo. Nenhum reino humano, por mais poderoso que seja, é capaz de tal feito.

Jesus Cristo, o Senhor deste Reino, veio de uma região geográfica sem qualquer brilho e uma cidade desprezível, como diria até mesmo um daqueles que se tornara seu seguidor: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré”. João 1.46.

A insignificância da origem de Jesus denota a plena significância do plano eterno de Deus, que foi capaz de transformar toda a pequenez atribuída pelos homens ao Messias e sua origem, em algo grandioso e esplêndido, confundindo a sabedoria limitada e completamente tola dos homens. Percebemos assim, claramente, a intervenção divina em toda a história, o Senhor guiando homens e mulheres para adentrar no Seu Reino e mudarem completamente seus destinos.

É importante compreender a visão do povo de Israel, que esperava e almejava a chegada de um Messias político, carregado de dogmas, leis mosaicas, um apedrejador de pecadores e carrasco do invasor inimigo, no caso, o império romano. Eles esperavam um rei tal como Davi, que no seu auge como guerreiro perseguia seus inimigos e a fio da espada derrubava um por um, derrotando todos aqueles que ousassem desafiá-lo, ou um rei como Salomão, com uma sabedoria descomunal para guiar Israel novamente para uma era de glória intelectual, militar e financeira. Portanto, o anseio deste povo era a restauração do reino davídico, ou seja, um reino de cunho político.

Entretanto, o propósito do Senhor era outro, era mostrar ao seu povo que o Reino dEle não era desse mundo, não se amoldurava aos costumes humanos corrompidos e contaminados pelo pecado. Assim, Jesus Cristo, chegou pregando algo completamente fora da curva, fora do foco que os Israelenses almejavam, e até mesmo os discípulos que andavam com o Messias não compreenderam num primeiro momento que tipo de Reino estava sendo pregado, anunciado e estabelecido.

Enfim, o tempo passou, os apóstolos, tirando Judas que entrou em desgraça e se perdeu, compreenderam verdadeiramente como era a mensagem do Reino de Deus proclamada por Jesus Cristo, foram revestidos com poder e autoridade para dar prosseguimento ao projeto de espalhar a mensagem de salvação e libertação para o mundo inteiro. E assim, de um pequeno grupo de homens sem muita instrução, Jesus causa a maior revolução que o mundo já viu, sem disparar uma única flecha, sem levantar uma única espada para combate, sem ameaçar e coagir um único ser humano a segui-lo, pelo contrário, através do poder do amor, Ele continua conquistando milhões dia após dia por meio da sua ação graciosa, tendo o seu povo como agência do Reino de Deus.

O que aconteceu com o império romano? Agonizou até o ano de 476 d.C, quando a cidade de Roma foi invadida pelos povos hérulos e o seu imperador destituído do cargo. Novos reinos e nações surgiram, transformando o império romano que outrora fora grandioso em cinzas e entulho de nenhum préstimo.

Que haja em nós, o desejo ardente de que o Reino de Deus seja estabelecido em nossas vidas, que possamos compreender o verdadeiro significado do Grandioso Reino de Deus, pois sabemos que os valores deste Reino sempre causaram impacto na sociedade em todos os tempos. Como diz a oração que Jesus nos ensinou a fazer e a viver como valores fundamentais nas nossas vidas: VENHA A NÓS O TEU REINO!

Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre.
Daniel 2.44

Silvany Luiz, Pr.

O MAU USO DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

Um artista não pinta uma tela apenas com cérebro e pincel. Michelângelo não disse ao seu Moisés de pedra: “parla” com a voz sem garganta dos aplicativos. Não é sobre arte, é sobre “Pregação Expositiva” que estou falando quando usada apenas como um método, como uma estrutura para fazer escorrer rios de petulância acadêmica.

Gente, pregação não é mera atividade cerebral não! A finalidade do sermão é colocar os homens diante de Deus! A “Pregação Expositiva” pode está servindo de método para garantir emprego de “pregador-enciclopédia”. Isso é uma possibilidade trágica! Igrejas locais agonizam sob o manto de habilidosos fabricantes de sermões bem estruturados! As modernas ferramentas de pesquisa permitem que qualquer menino de cavanhaque produza peças homiléticas e as chame de pregação. Pregação não é exibição retórica. Pregação é “teologia em chamas”.

“Pregação não é exibição retórica. Pregação é “teologia em chamas”

Cleyton Gadelha é pastor titular da Igreja Batista de Parquelândia e diretor executivo da Escola Teológica Charles Spurgeon (Fortaleza/CE). É bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista Bíblico do Nordeste.

FONTE: https://coalizaopeloevangelho.org/article/o-mau-uso-da-pregacao-expositiva/