DOMINGO DA RESSURREIÇÃO, O SILÊNCIO QUE GEROU VIDA

Houve um dia em que o céu pareceu calado.
A cruz havia falado alto demais na sexta-feira, o sangue havia escorrido, o véu se rasgado, mas o sábado chegou com um silêncio pesado, quase insuportável. O corpo de Jesus jazia no túmulo, e com Ele, pareciam sepultadas as esperanças dos discípulos.

Era o dia do não entender.
O dia da pausa entre a promessa e o cumprimento.
O dia em que Deus parecia não estar fazendo nada, mas estava fazendo tudo.

Então chegou o primeiro dia da semana.

Ainda era escuro quando as mulheres foram ao túmulo. Levavam aromas, lágrimas e amor, mas não levavam esperança de ressurreição. Para elas, a história havia terminado. Mas ao chegar, encontraram a pedra removida. O túmulo aberto não era sinal de ausência apenas, era anúncio de vitória.

“Ele não está aqui, mas ressuscitou.”

A morte havia sido vencida de dentro para fora.
O impossível havia se tornado testemunho.
O silêncio do sábado havia sido rompido pela voz eterna da vida.

Enquanto isso, no caminho de Emaús, dois discípulos caminhavam entristecidos, tentando reorganizar uma fé que parecia desmoronada. Jesus se aproxima, caminha com eles, explica as Escrituras, aquece o coração, e só é reconhecido no partir do pão. Assim é o Cristo ressurreto, presente mesmo quando não percebido, revelado no caminho, vivo na Palavra, íntimo na comunhão.

A ressurreição não é apenas um evento, é o fundamento.
Não é apenas um milagre, é a base da fé.
“Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé”. 1 Coríntios 15.14.

Mas Ele ressuscitou.

E porque Ele vive, a morte não tem a palavra final.
E porque Ele vive, o pecado não tem domínio eterno.
E porque Ele vive, o desespero não é definitivo.
E porque Ele vive, há vida hoje e sempre.

A ressurreição invade o nosso presente. Ela não pertence apenas ao passado, ela sustenta o agora. É ela que nos levanta nas nossas quedas, que nos dá esperança no meio das lutas, que nos garante que nenhum túmulo é definitivo quando Cristo está envolvido.

No Sertão, onde a terra muitas vezes racha pela seca, a ressurreição nos lembra que Deus faz brotar vida onde tudo parece morto. Assim como o túmulo se abriu, corações também se abrem. Assim como a pedra foi removida, cadeias também caem. Assim como Cristo venceu a morte, o evangelho continua vencendo impossibilidades.

A ressurreição nos chama a viver.
A viver com fé, com santidade, com propósito e em missão.
A viver como testemunhas de que Ele está vivo.

Não seguimos um Cristo que ficou na cruz.
Não choramos diante de um túmulo fechado.
Nós anunciamos um Senhor ressurreto.

Hoje é domingo, o dia da ressurreição.
O túmulo está vazio.
Cristo vive.

E isso muda tudo.

Silvany Luiz, Pr.

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ENTRE A CRUZ E A CORAGEM: UMA SEGUNDA-FEIRA DE ESPERANÇA

E eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos”.
Mateus 28.20b

Hoje é segunda-feira. Um dia que, para muitos, traz consigo o peso do recomeço, da rotina retomada, dos compromissos empilhados. Mas esta não é uma segunda-feira qualquer — é feriado. O Brasil para para lembrar de Tiradentes, o mártir da liberdade, o homem que ousou sonhar com uma terra livre, mesmo ao preço da própria vida. Um herói que não recuou diante da cruz que lhe impuseram, pois acreditava num futuro maior do que o seu presente.

Mas também não é qualquer segunda-feira: é a primeira depois do Domingo da Ressurreição. Ontem celebramos a vida que venceu a morte, o sepulcro que ficou vazio, a esperança que ressurgiu com o Cristo vivo. A Páscoa nos sussurrou, com poder e ternura, que nenhum fim é absoluto quando Deus está presente. Jesus não apenas morreu — Ele ressuscitou. E isso muda tudo.

Agora, com os pés na terra e os olhos no céu, iniciamos a semana.

Haverá desafios. Haverá tarefas acumuladas, provas na escola, decisões a tomar, talvez problemas a enfrentar. Mas também haverá algo mais profundo: a certeza de que não caminhamos sozinhos.

Assim como Tiradentes foi movido por uma convicção interior — mesmo sem ver ainda a liberdade plena — nós também somos movidos por uma certeza: Deus está conosco. E Sua presença é mais que companhia; é direção, é sustento, é consolo e vigor. Ele não está apenas no templo de domingo, mas na sala de aula, no escritório, na estrada, no lar. Ele está na pausa para o café, no silêncio da madrugada, nas lutas do coração.

Começamos esta semana como quem carrega em si a coragem da cruz e a esperança da ressurreição.

A coragem de enfrentar o mundo com fé, como Tiradentes enfrentou a morte com bravura.

A esperança de quem sabe que, se Cristo venceu a morte, então podemos vencer qualquer segunda-feira.

Portanto, não desanime. Não ande apressado demais a ponto de esquecer da Presença que te cerca. Viva esta semana como quem já venceu, porque Aquele que vive está contigo todos os dias, inclusive hoje.

Silvany Luiz

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