QUANDO A QUEDA DO IRMÃO VIRA ESPETÁCULO
Há algo profundamente inquietante em nosso tempo. Não é apenas o pecado, este sempre esteve presente na história da Igreja, mas o prazer velado quando a falha do outro vem à luz.
Basta uma acusação pública, um processo ou um escândalo atravessar os muros da Igreja para o tribunal das redes sociais entrar em ação. Fotos são expostas, sermões improvisados e reflexões publicadas. Por trás do discurso de zelo pela santidade, fica difícil esconder: há quem sinta satisfação na ruína alheia.
Os alemães chamam isso de Schadenfreude: o prazer diante da desgraça dos outros. Quando esse sentimento invade a igreja, a mensagem do Evangelho é desfigurada.
Tratar uma denúncia séria exige verdade, responsabilidade, arrependimento e consequências. A graça não anula a justiça, nem camufla o erro. Mas a justiça tampouco exige espetáculo. Há um abismo entre tratar o pecado e celebrar a queda do pecador.
Jesus enfrentou essa mesma mentalidade religiosa: gente que ficava à espreita, esperando uma falha. Não buscavam restauração, buscavam uma ocasião.
Talvez precisemos olhar menos para quem caiu e mais para o que a queda dele revela em nós. Por que a desgraça alheia desperta tanto interesse? Por que precisamos expor a foto do envolvido para ilustrar nossa “reflexão”? Será zelo pela verdade ou a satisfação secreta de ver que até os que admirávamos sangram?
A queda do outro costuma funcionar como um anestésico para a nossa própria consciência. Se ele caiu, meus erros parecem menores. Mas a cruz anula qualquer comparação: diante dela, todos somos pecadores necessitados de misericórdia.
A Igreja deve proteger as vítimas, apurar fatos e confrontar o pecado. Porém, precisa continuar acreditando no perdão e na restauração. Caso contrário, pregaremos uma graça suficiente para salvar pecadores, mas impotente para erguer os que caíram depois de salvos.
Paulo advertiu: “Se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, restaurai-o com espírito de brandura; e guarda-te a ti mesmo, para que não sejas também tentado”. Gl 6.1.
O texto diz restaurai. Não exponham. Não comemorem. Não transformem a tragédia alheia em conteúdo.
Soldado ferido precisa de tratamento. Se cometeu um delito ou falta grave, deve responder por isso e reparar os danos; as vítimas devem ser acolhidas e protegidas. Mas ninguém deveria encontrar satisfação em ver alguém no chão.
No Reino de Deus, a queda de um irmão nunca deve gerar aplausos. Deve gerar temor, lágrimas e autoexame. E, onde houver verdadeiro arrependimento, deve haver também um caminho de volta.
Afinal, seguimos Aquele que não apenas confrontou os pecadores, mas deu a vida por eles. O Calvário muda completamente a maneira como lidamos com a vergonha do outro, porque diante da cruz descobrimos que não somos espectadores da graça, somos necessitados dela.
Silvany Luiz, Pr.
A FORMAÇÃO DE UMA IGREJA ENVIADA
O Novo Testamento revela que a missão de Deus não é confiada a indivíduos isolados, mas a uma igreja formada por Cristo e capacitada pelo Espírito Santo. A Igreja surge como resultado da obra redentora e, ao mesmo tempo, como instrumento para sua continuidade no mundo.
Desde o evento de Pentecostes, registrado em Atos 2, a Igreja se manifesta como um povo reunido e imediatamente enviado. A descida do Espírito Santo não apenas forma uma igreja, mas a impulsiona para fora, em direção às nações. Aqueles que foram alcançados pela graça tornam-se testemunhas do que Deus realizou em Jesus Cristo, conforme a promessa do próprio Senhor: “recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas”. At 1.8.
Essa igreja possui uma identidade essencialmente missionária. Ela não existe para si mesma, nem se define por estruturas ou atividades internas, mas por sua relação com Cristo e por seu envio ao mundo. Seguir a Cristo implica, necessariamente, participar de sua missão. Não há discipulado autêntico sem envolvimento com o propósito missionário de Deus.
A Igreja, portanto, vive em um movimento contínuo de comunhão e envio. Ela se reúne para ser edificada na Palavra, fortalecida na fé e conduzida pelo Espírito Santo, e se dispersa para testemunhar, servir e anunciar o evangelho. Essa dinâmica revela que missão não é um departamento da Igreja, mas parte de sua própria identidade e razão de existir.
No contexto do Sertão Nordestino, essa realidade se torna especialmente significativa. Ao longo da caminhada da Missão Alcançando o Sertão, temos visto que igrejas pequenas, muitas vezes com recursos limitados, podem se tornar instrumentos poderosos nas mãos de Deus quando compreendem sua identidade. Igrejas locais passam a ser pontos de luz em regiões marcadas pelo isolamento, levando o evangelho por meio da presença, do discipulado e da proclamação fiel.
Carnaúba dos Dantas, uma igreja que nasceu para ser enviada
Carnaúba dos Dantas, no Rio Grande do Norte, tornou-se para nós uma demonstração concreta desse princípio. Quando chegamos à cidade, em 1997, minha esposa e eu éramos muito jovens. Trazíamos conosco a formação recebida no seminário, conhecimento bíblico, algumas estratégias e experiência pastoral, mas nunca havíamos iniciado uma igreja do zero. Foi justamente naquele contexto que também nasceu a Missão Alcançando o Sertão.
O desafio era grande. A presença evangélica na cidade era muito pequena, com menos de sessenta crentes distribuídos entre duas comunidades cristãs. Carnaúba dos Dantas possuía uma identidade religiosa fortemente estabelecida, marcada por romarias, altares e expressões de religiosidade popular, tendo no Monte do Galo um de seus símbolos mais conhecidos. Foi nesse ambiente que chegamos para anunciar o evangelho.
Continue lendo “A FORMAÇÃO DE UMA IGREJA ENVIADA”MISSÃO RURAL: NENHUM POVOADO É LONGE DEMAIS
A geografia do reino de Deus não é medida em quilômetros de asfalto, mas pela extensão do amor de Cristo a cada alma humana. No vasto mapa do Brasil, contudo, existe uma região onde as distâncias parecem ampliadas pelo isolamento e pelo esquecimento: a zona rural do semiárido nordestino. Entre estradas e caminhos, vegetação de caatinga e pequenas vilas de casas isoladas, vive o sertanejo. Para muitos, esses lugares ficam “longe demais”. Para a missão da Igreja, eles estão no centro do coração de Deus.
O DEUS QUE CAMINHA PELOS DESERTOS E MARGENS
A Escritura nos revela um Deus que habita na glória, mas que frequentemente se manifesta nas margens geográficas e sociais. O deserto nunca foi um lugar de ausência divina, mas de revelação. Foi no deserto de Midiã que Moisés contemplou a sarça ardente, Êxodo 3; foi no isolamento que Deus sustentou Elias e falou no murmúrio suave, 1 Reis 19.
No Novo Testamento, a dinâmica da vinda de Jesus Cristo ao mundo reforça essa verdade. O Messias não concentrou seu ministério apenas nos grandes centros urbanos da Judeia. Ele percorreu as pequenas aldeias da Galileia, caminhou por caminhos de terra batida, parou junto ao poço de Samaria sob o sol ao meio-dia, João 4, e buscou aqueles que a sociedade da época considerava irrelevantes.
A Bíblia estabelece com clareza: o alcance de Deus é ilimitado. Em Isaías 42:11, o profeta clama: “Alce o deserto a sua voz, com as suas cidades, com os povoados habitados por Quedar; cantem os que habitam nas rochas e clamem do cume dos montes”. A salvação prometida pelo Evangelho abrange intencionalmente as comunidades rurais e isoladas.
A NATUREZA DO ENVIO: PRESENÇA E SACRIFÍCIO
A obra evangelística não é uma invenção humana ou um mero programa da igreja; ela nasce do próprio caráter de Deus, Missio Dei. O Pai envia o Filho, o Pai e o Filho enviam o Espírito Santo, e o Deus Triúno envia a Sua Igreja ao mundo.
Se a iniciativa pertence a Deus, os critérios para onde a Igreja deve ir não podem ser baseados no retorno financeiro, na visibilidade de mídia ou no conforto operacional. O princípio que rege o envio é o da encarnação, João 1:14: o Verbo se fez carne e habitou entre nós.
Levar a esperança ao sertanejo do semiárido exige que a Igreja “arme sua tenda” no meio da seca e da poeira. Não se trata apenas de eventos pontuais ou distribuições temporárias de recursos, mas de uma presença viva, paciente e integradora. Significa sentar no alpendre, tomar o café fresco, ouvir a história da terra e chorar com quem sente a dor da escassez.
SABEDORIA NO CAMPO: ENRAIZANDO A MENSAGEM NA TERRA
Alcançar a zona rural do semiárido exige discernimento cultural e sensibilidade espiritual. O sertanejo carrega uma identidade singular, moldada pela resiliência, pelo sofrimento e por uma espiritualidade profunda, frequentemente expressa no catolicismo popular tradicional, no misticismo e em um forte senso de comunidade.
Uma abordagem ingênua ou impositiva, que tenta transplantar modelos urbanos e distantes para a roça, não produzirá frutos permanentes. A fidelidade ao Evangelho no sertão exige:
- O uso da linguagem local: A mensagem precisa ecoar na linguagem do campo, resgatando as parábolas da semente, da chuva, do gado e da terra, ferramentas que o próprio Jesus usava com mestria.
- O Evangelho que cuida do todo: No interior, o sofrimento do corpo e a sede da alma estão entrelaçados. Uma fé genuína anuncia a vida eterna e se importa com as dores do dia a dia Tiago 2:14-17.
- Vínculos reais de confiança: O sertanejo valoriza a palavra dada, a honra e a convivência. Relacionamentos verdadeiros abrem portas que discursos vazios jamais conseguiriam atravessar.
A RESPOSTA DA IGREJA: UM CHAMADO PARA IR ALÉM DAS CIDADES
Nas últimas décadas, presenciamos um crescimento acelerado das igrejas evangélicas nas grandes cidades, o que é motivo de gratidão. Contudo, essa concentração urbana acabou criando uma sombra: o esquecimento das comunidades rurais. Povoados com poucas dezenas de famílias, distritos distantes e povoados esquecidos no interior do Nordeste continuam sem uma única testemunha viva da graça.
Não podemos aceitar que esses lugares sejam rotulados como “inviáveis” ou “inacessíveis”. O comando de Cristo para alcançar todas as nações, Mateus 28:18-20, não faz exceções para vilas pequenas ou caminhos sem asfalto. Cada povoado do semiárido faz parte do mapa do amor de Deus.
Ele está convocando a Sua Igreja a olhar também para o interior, despertando e enviando trabalhadores dispostos a plantar igrejas relevantes e firmes no coração do sertão.
O sertanejo da zona rural não é invisível para Aquele que conhece cada gota de suor derramada sobre o solo seco. O desafio está posto: romper com a comodidade e calçar as sandálias da prontidão para marchar rumo aos locais mais esquecidos. Que o Espírito Santo inflame a Igreja com a certeza de que, onde houver um sertanejo, ali deve chegar à mensagem da esperança. Afinal, para o amor do Pai, nenhum povoado é longe demais.
Silvany Luiz
Presidente da Missão Alcançando o Sertão
MISSÃO RURAL: NENHUM POVOADO É DISTANTE DEMAIS
A missão nasce no coração de Deus. Antes de ser um projeto da Igreja, ela é a expressão do amor do Pai, revelado na obra redentora do Filho e realizado pelo poder do Espírito Santo. A Missio Dei nos lembra que Deus é o grande Missionário da história. Ele busca os perdidos, reúne para si um povo de todas as tribos, línguas, povos e nações e, em sua graça, convida homens e mulheres a participarem desse extraordinário propósito. Não somos os donos da missão; somos cooperadores do Deus que já está agindo no mundo. Essa verdade transforma nossa compreensão do serviço cristão: participar da missão não é um peso imposto sobre os ombros da Igreja, mas um privilégio concedido por Deus àqueles que foram alcançados pela sua graça.
Essa participação, contudo, envolve responsabilidade. O Senhor confiou à sua Igreja a proclamação do Evangelho até os confins da terra. Isso inclui as grandes metrópoles, mas também os pequenos povoados, os sítios, as comunidades rurais e os lugares que raramente aparecem nos mapas ou nas estatísticas. Aos olhos do mundo, podem parecer insignificantes; aos olhos de Deus, cada comunidade possui pessoas criadas à sua imagem e alcançadas pelo amor de Cristo. Nenhum povoado é pequeno demais para o Reino de Deus, porque nenhuma vida é pequena demais para o Salvador.
A missão rural nos confronta com desafios reais. As longas distâncias, as estradas difíceis, o isolamento geográfico, a escassez de recursos e a limitada presença de igrejas exigem perseverança, criatividade e dependência do Senhor. Entretanto, esses obstáculos jamais anulam o chamado divino. O Deus que enviou seus servos aos desertos, montanhas e caminhos mais improváveis continua chamando sua Igreja a atravessar porteiras, percorrer estradas de terra e anunciar a esperança do Evangelho onde muitos ainda aguardam ouvir as Boas-Novas pela primeira vez.
Alcançar a zona rural é reconhecer que o Reino de Deus não segue a lógica da concentração, mas da compaixão. Cristo caminhou por aldeias, vilas e pequenas comunidades, demonstrando que o Evangelho não privilegia centros urbanos nem despreza lugares esquecidos. A Igreja que participa da missão de Deus aprende a enxergar cada casa, família e povoado como um campo branco para a colheita. Onde muitos veem distância, Deus vê oportunidade. Onde muitos enxergam isolamento, Deus vê pessoas pelas quais Cristo morreu.
É por isso que afirmamos com convicção: Missão Rural: Nenhum Povoado é Distante Demais. Nenhum lugar está longe do alcance da graça de Deus, e nenhum discípulo deveria considerar distante demais aquele a quem Cristo deseja alcançar. O privilégio de servir ao Senhor na missão se torna também uma alegria profunda, pois testemunhamos Deus escrevendo histórias de redenção onde poucos imaginavam que elas aconteceriam.
A Escola de Missões do Sertão é uma oportunidade de viver essa realidade de maneira prática. Em uma imersão missionária de curto prazo, os participantes experimentam a missão rural, conhecem seus desafios, contemplam as necessidades espirituais das comunidades e se tornam participantes ativos daquilo que Deus está realizando no Sertão Nordestino. Mais do que um treinamento, é um convite para caminhar ao lado do Senhor em sua missão.
E você também pode fazer parte dessa obra. Se estará conosco, ainda há tempo de mobilizar pessoas para sustentarem esta missão em oração. Compartilhe com sua igreja, informe seu pastor, envolva seu pequeno grupo, seus amigos e sua família. Peça que intercedam pela Escola de Missões do Sertão, por cada missionário, voluntário e pela comunidade que será alcançada. Além disso, aqueles que desejarem podem contribuir e apoiar esta obra, tornando-se parte da retaguarda missionária. Na missão de Deus, quem vai, quem ora, quem contribui e quem sustenta participam do mesmo propósito eterno: fazer Cristo conhecido até que nenhum povoado permaneça sem ouvir o Evangelho.
Silvany Luiz, Pr.
Presidente Missão Alcançando o Sertão
A FIDELIDADE DE DEUS NO SERTÃO
Há mais de três décadas, o Sertão Nordestino tem sido o cenário onde contemplamos, dia após dia, a extraordinária fidelidade de Deus. Sua mão soberana nos sustenta tanto nas grandes conquistas quanto nos detalhes da caminhada, manifestando-se em circunstâncias cotidianas e em intervenções que só encontram explicação na profundidade de Sua graça. Em cada curva da estrada, experimentamos Sua provisão, direção, misericórdia e paternal cuidado.
Houve momentos em que o Senhor nos impulsionou a avançar com ousadia; em outros, ensinou-nos a esperar com paciência ou a recuar com sabedoria. Contudo, em todas as estações, Sua presença jamais nos faltou. Por isso, a nossa história não é o mero registro de atividades missionárias, mas o testemunho vivo daquele que chama, envia, sustenta e conduz a Sua própria obra até o fim.
Nosso ministério repousa sobre dois pilares inegociáveis: o chamado e a direção divina. O chamado nasce no coração do próprio Senhor, que nos vocacionou para anunciar as boas-novas de Jesus Cristo, uma vocação que transcende culturas, fronteiras e geografias, pois a missão de Deus abraça o mundo. No entanto, foi a direção específica do Espírito Santo que gravou o Sertão Nordestino em nossa trajetória ministerial. Entre o povo sertanejo, encontramos o solo preparado por Deus para depositarmos nossa vida e nossa vocação. Servir aqui nunca foi uma simples escolha de carreira; foi uma resposta de fé e obediência à vontade soberana do Pai.
AS CONVICÇÕES QUE NOS SUSTENTAM
Ao longo desses anos, fomos ancorados por certezas inabaláveis. A primeira delas é o privilégio de anunciar o plano da redenção ao povo sertanejo. Nosso maior anseio sempre foi ver homens, mulheres e crianças ouvindo o Evangelho, compreendendo o seu mistério e respondendo com fé ao chamado de Cristo. Pela graça, fomos testemunhas de vidas transformadas, famílias reconstruídas e discípulos caminhando na novidade de vida. Poucas alegrias se comparam à de ver o ser humano reconciliado com o Criador, experimentando a viva esperança da salvação.
Nossa segunda motivação é edificar a Igreja de Cristo no Sertão. A missão não se encerra na conversão; ela se desdobra no discipulado, na formação de lideranças e no amadurecimento de igrejas bíblicas e saudáveis. Desde o princípio, nosso compromisso tem sido o de cooperar para o estabelecimento de igrejas firmadas na Palavra, comprometidas com a santidade, apaixonadas pela missão e prontas para servir ao Reino.
Essa visão nos impeliu a investir no treinamento teológico e no plantio de novas congregações. Olhamos para trás com profunda gratidão e vemos igrejas consolidadas, além de missionários e pastores que hoje servem não apenas no Sertão, mas em outras regiões do Brasil e além-fronteiras. A graça que um dia nos alcançou continua a avançar através de novas vidas transformadas.
Inspirados por Jesus, compreendemos que fazer missões exige o movimento de ir ao encontro do outro. Assim como o Cristo veio buscar e salvar o que estava perdido, somos intimados a deixar nossas zonas de conforto para levar esperança onde ela ainda não ecoou. É essa disposição de caminhar, amar e discipular que tem moldado nosso ministério nestas três décadas.
A SUPREMACIA DA GLÓRIA DE DEUS
Acima de todas as metas e projetos, paira uma realidade suprema: a glória de Deus. Nossa maior paixão nunca foi apenas erguer templos ou ampliar as estruturas de uma organização. Nosso propósito maior é ver o Senhor conhecido, amado e adorado em cada recanto do território nordestino.
Sonhamos com o Nome que está acima de todo nome sendo exaltado nos lugares mais simples e improváveis: debaixo da sombra de um juazeiro, em alpendres acolhedores, em casas simples, às margens das estradas sertanejas e nas pequenas comunidades rurais.
Cada culto celebrado, oração sincera e família restaurada proclamam que a glória de Deus habita nesta terra. Vimos o Senhor abrir caminhos onde antes só havia isolamento, abrir portas trancadas, lares para o Evangelho e corações pelo sopro do Espírito Santo.
UM CORAÇÃO TRANSBORDANTE DE GRATIDÃO
Ao olhar para esta jornada, nosso coração se inunda de gratidão por todos que caminharam ao nosso lado. Alguns estiveram conosco na linha de frente, enfrentando o calor do dia no campo missionário; outros permaneceram na retaguarda, sustentando esta obra por meio de joelhos dobrados, ofertas generosas, palavras de encorajamento e amor prático.
No Reino de Deus, não há servos maiores ou menores. Todos cooperam na mesma lavoura: enquanto alguns vão, outros enviam; enquanto alguns semeiam no solo, outros garantem que a semente tenha o suporte necessário para germinar e gerar frutos eternos. Nossa sincera gratidão a cada parceiro, igreja, pastor e intercessor.
O CHAMADO CONTINUA
Por fim, renovamos o nosso convite à Igreja de Cristo. O sertão continua a clamar. Ainda existem milhares de vidas que necessitam ouvir a mensagem da cruz; ainda há povoados carentes de igrejas bíblicas e campos prontos para a colheita.
Convidamos você a continuar escrevendo esta história conosco, seja indo, orando, contribuindo ou enviando. Unidos como um só corpo, continuaremos alcançando o Sertão, edificando a Igreja e espalhando a glória de Deus, até que cada comunidade sertaneja seja iluminada pelas boas-novas da salvação.
”A ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” (Efésios 3:21)
Silvany Luiz, Pr.
ENTRE OS MAIS APTOS E OS MAIS FIÉIS
“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.” 1 Coríntios 1.27
Na antropologia social e nas dinâmicas humanas, costuma-se falar sobre a “sobrevivência dos mais aptos”. Em termos simples, quem possui mais recursos, maior influência e melhor capacidade de mobilização tende a ocupar os espaços de destaque e a colher os resultados mais visíveis. No campo missionário, essa mesma lógica parece ganhar força aos nossos olhos: missionário são naturalmente atraídos por projetos mais estruturados, por regiões que oferecem melhores condições de vida e por instituições capazes de garantir o suporte que as realidades mais simples jamais conseguiriam oferecer. Enquanto isso, quem permanece nas pequenas cidades, nos povoados rurais e nos lugares esquecidos, carrega o peso silencioso de uma disputa que jamais desejou travar.
Mas o Reino de Deus nunca foi edificado sobre a lógica dos mais aptos, e sim sobre a fidelidade dos chamados. As Escrituras são repletas de homens e mulheres que possuíam muito pouco aos olhos do mundo, mas que receberam o tudo de Deus. Enquanto a sociedade mede forças por recursos e estatísticas, Deus continua medindo corações por obediência.
O desafio é que quem está na linha de frente não é imune ao desgaste emocional provocado por essa disparidade. O desânimo chega sem fazer barulho, trazendo perguntas difíceis, sugerindo o anonimato como refúgio, o isolamento e, em alguns dias, até a desistência.
Entretanto, há uma verdade inabalável que sustenta o missionário em suas noites mais escuras: a obra nunca pertenceu aos que podem, mas Àquele que chama. Os mais aptos podem até possuir estruturas maiores, mas os mais fiéis carregam uma promessa eterna. No fim, o Reino não será lembrado apenas pelos que tiveram recursos para enviar, mas principalmente pela persistência daqueles que permaneceram quando quase ninguém queria ficar. É justamente onde a força humana se mostra insuficiente que Deus escolhe escrever as Suas histórias mais bonitas.
Silvany Luiz, Pr.
ESCOLA DE MISSÕES DO SERTÃO
JULHO 2026
“Porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus…”
1 Coríntios. 15.34

OBJETIVOS DA ESCOLA DE MISSÕES DO SERTÃO
1. Apoiar na plantação de Igrejas no Sertão Nordestino;
2. Fortalecer Igrejas Sertanejas;
3. Promover a evangelização na Zona Rural do Sertão Nordestino;
4. Despertar a igreja para a evangelização dos povos minoritários, gerando engajamento na obra missionária;
5. Promover ações de evangelização em áreas carentes do evangelho no Sertão Nordestino, principalmente nas comunidades rurais.
PROGRAMA DA ESCOLA DE MISSÕES DO SERTÃO
A Escola de Missões do Sertão é dividida em duas partes:
Teoria
Treinamentos, palestras e capacitações sobre princípios missionários, evangelismo, discipulado, intercessão, plantação de igrejas e visão missionária.
Prática
Atividades de visitas e evangelização, onde os participantes aplicam na prática o aprendizado da parte teórica, alcançando as pessoas com o evangelho.
Essa estrutura proporciona uma experiência integral, promovendo uma visão e consciência missionária transformadora.
A ÊNFASE DA ESCOLA DE MISSÕES DO SERTÃO
CONHECER… SER… FAZER!
UM CONVITE A VOCÊ
Tenho um convite
Vou te fazer agora
Venha para o Sertão
Participe da Escola
A Escola de Missões
É lugar de comunhão
É tempo de experiência
De muita proclamação
Estou indo para a Escola
Que acontece no Sertão
Sei que vai ser bom demais
Não fique de fora irmão
Estou indo pra o Sertão
Minha bíblia vou levar
Muito amor no coração
Ao Sertão eu vou pregar
Na Escola de Missões
Somos aperfeiçoados
Teoria e prática
E muito aprendizado
Aprendemos uns com os outros
Partilhamos o saber
Regozijamos em dar
Assim como em receber
Silvany Luiz, Pr.
VALOR DA INSCRIÇÃO
A inscrição tem o valor (R$) de R$ 90,00 (noventa reais), que pode ser pago à vista ou parcelado, conforme a data de inscrição.
O pagamento pode ser realizado via PIX ou transferência bancária. Após efetuar o pagamento, envie o comprovante para o WhatsApp da Missão Alcançando o Sertão (84) 98618-3640
OBS.: VOCÊ PODE REALIZAR A SUA INSCRIÇÃO HOJE E PAGAR DEPOIS!
O QUE ESTÁ INCLUSO NA INSCRIÇÃO?
Sua inscrição garante:
1. Camisa padrão para ser utilizada nas atividades de evangelismo;
2. Hospedagem Coletiva;
3. Alimentação durante o período da Escola de Missões do Sertão.
IMPORTANTE
A Missão Alcançando o Sertão não se responsabiliza pelas despesas de deslocamento de ida e volta entre a cidade de origem do participante e o Povoado Cruz, local de encontro da Escola de Missões do Sertão.
LOCAL DA ESCOLA
A cidade de Currais Novos será nossa referência geográfica, enquanto o Povoado Cruz será a base missionária, um lugar de acolhimento, comunhão e preparo. Nesse ambiente de encontros e propósitos, hospedaremos a equipe, compartilharemos refeições e viveremos momentos de formação por meio de palestras e treinamentos.
Ali, com os corações ardendo, alcançaremos muitas famílias em duas comunidades rurais, levando o Evangelho por meio da evangelização, visitas, atividades com crianças e cultos ao ar livre. Será um tempo marcado por serviço, fé e transformação.
A parte prática da Escola de Missões do Sertão acontecerá no mesmo local da base missionária. Atuaremos nos Povoados Cruz e Poço da Serra, comunidades rurais que serão alcançadas com as Boas-Novas do Evangelho.
Será uma experiência missionária profunda e inesquecível. Evangelizaremos o povo sertanejo, entraremos em lares, ouviremos histórias, oraremos com famílias e levaremos o amor de Cristo a idosos, jovens, adolescentes e crianças que carregam no olhar a esperança de um novo tempo.
A Escola de Missões do Sertão não é apenas um curso, mas uma resposta viva ao clamor de um povo e ao desejo do coração de Deus. É tempo de unir forças e fortalecer o trabalho da congregação que está sendo plantada nessas comunidades rurais. Assim, contribuiremos com amor, serviço e dedicação para o avanço do Reino de Deus na zona rural do Sertão Potiguar.
A Missão Alcançando o Sertão segue firme no propósito de proclamar Cristo e cooperar na redenção do povo sertanejo. Contamos com você. O Sertão espera por você.
COMO AJUDAR A ESCOLA DE MISSÕES DO SERTÃO?
1. Oração – A maior contribuição que podemos receber;
2. Adote um participante – Seja a resposta que alguém está esperando;
3. Suporte financeiro – Torne-se parceiro na realização da Escola;
4. Divulgação – Incentive outros a se envolverem nessa missão;
5. PARTICIPANDO ATIVA – Inscreva-se e vá ao campo missionário.
REFLEXÃO
“Pequenas ações são capazes de gerar grandes resultados para o Reino de Deus aqui na terra e frutos com consequências eternas”.
Silvany Luiz, Pr.
CONSIDERAÇÃO FINAL
Aos inscritos, enviaremos informações detalhadas sobre a metodologia, o programa e os princípios normativos, sempre com o objetivo de promover a edificação mútua, a evangelização do público-alvo e a glorificação do nome de Deus.
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A INTEGRIDADE NA MISSÃO
Uma reflexão bíblica, teológica e profundamente prática para a vida missionária
A integridade na missão não ocupa um lugar periférico, nem pode ser tratada como um adorno ministerial. Ela está no fundamento de tudo. É o solo sobre o qual se ergue o testemunho cristão e a base que sustenta a credibilidade da mensagem proclamada. Onde a integridade é frágil, a missão se torna vulnerável. Onde ela é negligenciada, o evangelho é obscurecido não por falta de verdade, mas por falta de coerência.
A Escritura apresenta a integridade como uma marca inseparável daqueles que caminham com Deus. Em Gênesis 17.1, o Senhor ordena a Abraão, anda na minha presença e sê íntegro. Antes de qualquer promessa ampliada ou sinal da aliança, há um chamado à vida alinhada com o caráter divino. Isso revela uma verdade essencial, Deus não está apenas interessado no que fazemos em seu nome, mas em quem somos diante dele.
No campo missionário, essa realidade se torna ainda mais evidente. A missão não é sustentada apenas por estratégias, projetos ou metodologias. Ela é sustentada por vidas. E vidas que não refletem o evangelho acabam enfraquecendo aquilo que anunciam. A integridade, portanto, não é apenas uma questão moral, é uma dimensão teológica da própria missão de Deus, pois Deus se revela ao mundo por meio de um povo que carrega o seu caráter.
Quando olhamos para o Sertão Nordestino, essa verdade ganha contornos ainda mais profundos. Trata-se de um contexto no qual as relações são próximas, as histórias se entrelaçam e cada atitude é observada e lembrada. No Sertão, a palavra empenhada possui valor, e a vida cotidiana fala com mais força do que qualquer sermão bem elaborado. Nesse cenário, não há espaço para duplicidade sem consequências. O missionário não é apenas ouvido, ele é lido.
Isso nos conduz a uma compreensão prática e urgente. A integridade não pode ser limitada ao púlpito ou aos momentos públicos do ministério. Ela precisa se manifestar na forma como o missionário administra seus recursos, trata as pessoas, cumpre suas promessas, reage às pressões e conduz sua vida em secreto. A coerência entre mensagem e vida é o que transforma o discurso em testemunho vivo.
O apóstolo Paulo, ao escrever aos tessalonicenses, oferece um modelo claro dessa realidade. Em 1 Tessalonicenses 2, ele relembra sua conduta entre o povo, afirmando que não agiu com engano, nem com impureza, nem com intenção de enganar. Antes, foi aprovado por Deus para confiar-lhe o evangelho. Paulo compreendia que a autoridade de sua mensagem estava profundamente ligada à integridade de sua vida. Ele não apenas pregava o evangelho, ele o encarnava em sua caminhada diária.
Continue lendo “A INTEGRIDADE NA MISSÃO”O CORAÇÃO MISSIONÁRIO DE PAULO E O DESEJO DE IR A ROMA
Romanos 1.11-15
A epístola aos Romanos transcende a categoria de um tratado teológico sistemático sobre a salvação. Ela é, ao mesmo tempo, uma janela aberta para o interior de um coração incendiado pelo evangelho. Em suas linhas, não encontramos apenas doutrina cuidadosamente estruturada, mas a pulsação viva de um homem cuja existência foi completamente reorientada pela graça de Deus.
Paulo não escreve como um teórico enclausurado em abstrações, mas como um missionário em movimento, moldado pela revelação de Cristo e impulsionado por uma urgência santa. Sua teologia não nasce no isolamento, mas no caminho, nas viagens, nas perseguições e nos encontros com povos que ainda não haviam ouvido o nome de Jesus. Sua reflexão é forjada no campo missionário.
É nesse contexto que emerge seu profundo desejo de ir a Roma. A capital do império não era apenas um centro político e cultural, era um ponto estratégico na dinâmica da missão de Deus na história. Roma representava influência, alcance e conexão com o mundo conhecido. Alcançar Roma significava, de certo modo, tocar os confins da estrutura de poder e difusão cultural da época.
Contudo, o anseio de Paulo não era movido por ambição pessoal, prestígio ou reconhecimento. Seu desejo era essencialmente cristocêntrico. Ele queria ver Cristo anunciado, conhecido e adorado naquele centro de poder. Sua motivação não era a cidade em si, mas o nome de Jesus sendo exaltado dentro dela.
O desejo de Paulo de ir a Roma revela mais do que um plano de viagem. Ele expõe a profundidade de um chamado, a maturidade de uma visão missionária e a entrega total de uma vida rendida à soberania de Deus. Aqui encontramos não apenas a intenção de um apóstolo, mas um paradigma para a igreja de todas as épocas, uma igreja que não vive para si mesma, mas para o avanço do Reino de Deus entre todos os povos.
Este texto nos convida a olhar para dentro do coração missionário de Paulo e, ao mesmo tempo, confronta a nossa própria compreensão de missão. Afinal, o que move nossos planos, nossos sonhos e nossas decisões? A expansão do nosso nome ou a proclamação do nome de Cristo?
O DESEJO QUE NASCE DA COMUNHÃO CRISTÃ
Ao iniciar sua carta, Paulo revela um anseio que, à primeira vista, parece simples, mas que carrega profunda riqueza teológica e implicações missiológicas. Ele expressa seu desejo de estar com os irmãos em Roma, não apenas para ensinar, mas para compartilhar dons espirituais e, surpreendentemente, para também ser fortalecido pela fé deles, conforme Romanos 1.11-12.
Aqui somos confrontados com uma verdade essencial, a missão cristã não é um movimento unilateral. Não se trata de uma via de mão única, onde alguns apenas dão e outros apenas recebem. A igreja é um organismo vivo, o corpo de Cristo, no qual há uma dinâmica constante de edificação mútua, onde todos participam, contribuem e são de alguma forma, fortalecidos.
A visão de Paulo rompe com qualquer perspectiva hierárquica ou autossuficiente da vida cristã. Embora fosse apóstolo, mestre e pioneiro missionário, ele não se coloca acima da necessidade da comunhão. Pelo contrário, ele se inclui nela. Ele não apenas leva, ele também recebe. Não apenas ministra, ele também é ministrado.
Isso revela que, para Paulo, a igreja não é um ponto final da missão, mas um ambiente contínuo de crescimento, fortalecimento e cooperação espiritual. A comunhão dos santos não é um elemento periférico, ela está no centro da vida e da expansão do evangelho.
Do ponto de vista missiológico, esse princípio é fundamental. A missão não avança por meio de indivíduos isolados, mas através de uma comunidade que vive, compartilha e testemunha a fé de forma relacional. Igrejas saudáveis geram missionários saudáveis, e missionários saudáveis permanecem conectados à vida da igreja.
Há aqui um princípio que precisa ser reafirmado com urgência em nossos dias, ninguém é tão maduro que não precise ser edificado, e ninguém é tão simples que não possa edificar. No Reino de Deus, não há inutilidade, nem independência. Há interdependência, graça compartilhada e crescimento coletivo.
Assim, o desejo de Paulo de ir a Roma não nasce apenas de uma estratégia missionária, mas de um coração que valoriza profundamente a comunhão cristã. Antes de ser um plano de expansão, é uma expressão de vínculo. Antes de ser geográfico, é espiritual.
E isso nos confronta diretamente. Em nossa prática missionária, temos valorizado apenas o envio, ou também a comunhão? Temos formado apenas obreiros que vão, ou também comunidades que sustentam, fortalecem e caminham juntas?
A missão que agrada a Deus não é construída sobre isolamento, mas sobre relacionamentos redimidos que refletem a unidade do corpo de Cristo.
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