
O CACTO E A VIDA NO ESPÍRITO
“Ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro; e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.”
Jeremias 17.8
No sertão, o cacto é um sobrevivente silencioso. Ele não é exuberante como as palmeiras, nem perfumado como o lírio, mas carrega em si um segredo que o mantém vivo em terras áridas: armazena água em seu interior, protegido por espinhos que guardam esse tesouro da vida. Enquanto a seca castiga e o solo racha, o cacto permanece firme, verde por dentro, preparado para resistir ao tempo difícil.
Assim também deve ser a vida do cristão no mundo. Vivemos tempos de estiagem espiritual, em que a fé é provada pelo calor das tribulações e a aridez da incredulidade. Mas quem está enraizado em Cristo aprende a armazenar “água viva” em seu coração. Essa água é a Palavra de Deus, que sustenta nos dias bons e nos dias maus.
O cacto também ensina que nem tudo na vida é para ser exposto. Ele guarda dentro de si aquilo que é essencial. Jesus nos chamou para cultivar no íntimo um relacionamento profundo com Ele, que não depende da aprovação ou aplausos externos, mas da presença constante do Espírito Santo.
E os espinhos? Eles lembram que a vida cristã exige discernimento. Nem todos devem ter acesso ao coração despreparado; há que se proteger contra influências que roubam a vida espiritual. Não é dureza, é prudência.
No Sertão, o cacto floresce de repente, mesmo após longos períodos de seca. É um espetáculo inesperado: brota cor onde só havia aridez. Assim é o agir de Deus em nós, no tempo certo, Ele faz florescer esperança, amor e frutos do Espírito, para que o mundo veja que há vida em meio ao deserto.
Seja como o cacto. Tenha raízes profundas na Palavra, guarde no íntimo a presença de Deus, proteja a fé contra o que pode destruí-la e espere com perseverança o tempo de florescer.
Silvany Luiz



